Industria do esmalte adere ao mundo da moda para crescer
"A história conta que o hábito de pintar as unhas existe entre as mulheres desde a idade antiga e nunca caiu em desuso, mas faz pouco tempo que a indústria da beleza conseguiu elevar a importância dos esmaltes para um patamar equivalente ao da moda. Se no Egito de Cleópatra as cores das unhas serviam para identificar classes sociais, no mundo contemporâneo o esmalte consegue atingir todas as camadas e vender cada vez mais.
Para os fabricantes, o ano de 2010 promete ser ainda mais colorido. A nova lógica adotada pela indústria é a das grandes marcas de moda: coleções de cores que seguem as tendências do momento e que dialogam entre si formando um conjunto diferente a cada nova estação. “Antes, o esmalte era visto como um item que não deveria sobressair. Ele tinha que harmonizar com todos os visuais e transmitir limpeza e cuidado”, diz Mel Girão, diretora-executiva de marketing da Risqué, marca que detém o grande hit Renda (branco). “Mais recentemente, o esmalte se tornou o ponto central da composição de looks, recebendo mais atenção do que a própria roupa. Essa é a fase em que tons pouco convencionais passaram a ser permitidos.
”O boom que vive a indústria é comprovado por números. De acordo com dados da Nielsen, em 2008, o volume de vendas cresceu 2,2% em relação ao ano anterior. Em 2009, a alta foi de 14,4%. Em valor, a expansão é ainda mais expressiva: o faturamento em 2008 teve alta de 5,1%, subindo mais 31,9% em 2009. A categoria como um todo movimentou 169 milhões de unidades e R$ 330 milhões no ano passado. Em 2010, o movimento pode ser ainda mais forte. Comparados os primeiros trimestres de 2009 e deste ano, o valor total das vendas de esmaltes do país aumentou em 32,6%.
Possivelmente, o pontapé do novo momento da indústria tenha sido dado pela francesa Chanel, com o lançamento do Blue Satin, em 2008. A tradicional casa permitiu - e incentivou - que as mulheres mais elegantes fugissem do tradicional e arriscassem o azul profundo, abrindo um leque enorme de oportunidades de negócios, que vão desde cores antes inimaginadas para esmaltes - amarelo, verde, cinza, etc. - até variações de efeitos, como a cobertura fosca, passando por produtos tecnológicos, que prometem secagem eficiente e durabilidade. Renata Kameyama, diretora de marketing da Colorama, acredita que a principal mudança do mercado está na “ousadia”. “Se antes o tradicional branquinho era o eleito pela maioria das mulheres, hoje elas estão muito mais abertas ao colorido”, diz. “A mulher brasileira tem uma relação muito próxima com essa categoria: experimenta, acompanha os movimentos, as tendências, as novidades.” De acordo com Renata, é essa característica que faz com que o mercado tenha se movimentado nos últimos dois anos – a demanda tem obrigado as fabricantes a buscar inovações.
Para Adriane Morgenstern, gerente de marketing da Aeger Perfumes e Cosméticos, que distribui com exclusividade os Esmaltes Ana Hickmann, é na direção da especialização que o mercado de esmaltes ainda tem espaço para crescer. “O nosso mercado é muito commoditizado. Hoje todos os players trabalham dentro de uma faixa de preço de R$ 2, e não existe muita especialização. Não tem muito diferencial entre os produtos. Acreditamos que em dois anos no máximo o mercado estará mais especializado, com produtos mais diferenciados”, diz."
(Fonte: Brasil Econômico - 08/05/2010)
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